Gostaria de aproveitar essa oportunidade para relembrar um fato que aconteceu comigo, no mínimo curioso. Quando tinha por volta de cinco ou seis anos de idade, dei um grande susto em minha família, simplesmente sumi por uma tarde. Quando apareci, lógico, tomei uns bons cascudos. Agora adivinhem senhores leitores onde eu passei essa tarde?
Bom, um coleginha meu, com idade entre nove e dez anos, estava estudando e eu sempre o “perturbava”. Queria que me levasse a sua escola e nesse dia finalmente ele concordou. Fui escondido, pois, minha mãe, muito zelosa, seguramente não permitiria que eu fosse acompanhado, apenas, desse meu amiguinho. Você deve estar se perguntado, o que é que eu tenho a ver com isso? Ocorre que no momento em que a professora Denise leu sua “história” de leituras para a sala do terceiro semestre de letras vernáculas da UNEB – Campus IV, e, em seguida nos propôs a atividade de também rememorarmos as nossas histórias de leitura, eu, agora com vinte e quatro anos, lembrei de imediato de uma historinha contada pela a professora desse meu colega. E ela contava com tanto gostoso, que até hoje, ainda tenho fleches distantes, daquele momento em que ela falava de um menino que era de madeira e que toda vez que mentia crescia o nariz...
Ouvi muitas outras histórias. Lembro-me das noites ao pé do fogão a lenha ou das esteiras jogadas ao chão da casa da minha saudosa vó, cheia de senhores, senhoras e da meninada, todos, atentos para escutá-la contar aqueles chamados “causos”. Acredito que nasceu ali o meu gosto por leituras, pois, como disse Fanny Abramovich: “Contar historia com paixão é uma boa forma de incentivar a leitura”.
Outro local, no qual, acredito ter encontrado incentivo a pratica da leitura foi à igreja. Quando a freqüentava, gostava bastante, de aos domingos ir à escola dominical, lá as professoras pediam para que lêssemos as histórias bíblicas, como as que me veio a memória agora: “Jesus e transformação de água em vinho”, Davi e o gigante Golias, José do Egito, Adão e Eva ,a arca de Noé , dentre outras.
Embora eu tenha vindo de família humilde, e a falta de dinheiro não possibilitasse a compra de livros, eu lia bastante o que tivesse: jornais velhos, revistas e principalmente, os livros didáticos ganhados na escola. Trabalhava carregando feira com carrinho de mão e tirava “alguns trocados”, para a compra de revistinhas em quadrinhos, como por exemplo, A turma da Mônica. Então, eu levava tudo isso para barraca de minha mãe na feira livre de Jacobina e fazia daquele local de trabalho dela, uma espécie de Biblioteca ao ar livre. Ficava lendo. Esse período foi muito interessante, algumas pessoas passavam e por curiosidade acabavam dividindo aquele momento comigo.
Infelizmente alguns de meus professores não me orientaram no sentido de apontar leituras pertinentes a minha idade, como os livros destinados ao público infanto-juvenil: João e Maria, Branca de Neve, Chapeuzinho vermelho entre outros. Estes, eu só os conheço através da TV, e agora através do componente curricular: O estético e o Lúdico na Literatura Infanto-juvenil, na universidade. Mas isso não vem ao caso nesse momento, o importante é que essas leituras, sejam elas direcionadas ou não, fizeram com que ler para me se tornasse um habito. Nesse sentido eu aponto como um exercício para aquisição do gosto pela leitura: “ler, ler e ler”.
Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Revista Nova Escola, Especial Leitura, p.39.